quinta-feira, 26 de março de 2009

Engenharia Simultânea

Introdução
O surgimento de novas tecnologias e a crescente complexidade dos produtos, entre outros fatores, resultam em aumento do lead time de desenvolvimento de produtos. No entanto, para se manterem competitivas, as empresas precisam lançar novos produtos em espaços de tempo cada vez menores. Nesse sentido, as empresas passaram a procurar formas de reduzir seu ciclo de desenvolvimento de produtos. Uma das soluções adotadas pelas empresas, no início dos anos 80, foi o aumento do grau de paralelismo das atividades de desenvolvimento. Atividades que eram realizadas somente após o término e aprovação das atividades anteriores são antecipadas de forma que seu início não dependa dos demorados ciclos de aprovação.

Em 1982 foi iniciado um estudo, conduzido pelo DARPA (Defense Advanced Research Project Agency), sobre formas de se aumentar o grau de paralelismo das atividades de desenvolvimento de produtos. O resultado desse trabalho, publicado em 1988, definiu o termo Engenharia Simultânea, tornando-se uma importante referência para novas pesquisas nessa área.


Definição de Engenharia Simultânea
O estudo realizado pelo DARPA definiu Engenharia Simultânea da seguinte forma (WINNER et al., 1988 apud PRASAD, 1996): "Engenharia Simultânea é uma abordagem sistemática para o desenvolvimento integrado e paralelo do projeto de um produto e os processos relacionados, incluindo manufatura e suporte. Essa abordagem procura fazer com que as pessoas envolvidas no desenvolvimento considerem, desde o início, todos os elementos do ciclo de vida do produto, da concepção ao descarte, incluindo qualidade, custo, prazos e requisitos dos clientes." A partir dessa definição surgiram muitas outras. O conceito de Engenharia Simultânea tornou-se muito mais abrangente, podendo incluir a cooperação e o consenso entre os envolvidos no desenvolvimento, o emprego de recursos computacionais (CAD/CAE/CAM/CAPP/PDM) e a utilização de metodologias (DFx, QFD, entre outras). Outras definições de Engenharia Simultânea são:

"Engenharia Simultânea é uma abordagem sistemática para o desenvolvimento integrado de produtos que enfatiza o atendimento das expectativas dos clientes. Inclui valores de trabalho em equipe, tais como cooperação, confiança e compartilhamento, de forma que as decisões sejam tomadas, no início do processo, em grandes intervalos de trabalho paralelo incluindo todas as perspectivas do ciclo de vida, sincronizadas com pequenas modificações para produzir consenso" (ASHLEY, 1992 apud PRASAD, 1996)
"Engenharia Simultânea é um ambiente de desenvolvimento, no qual a tecnologia de projeto auxiliado por computador é utilizada para melhorar a qualidade do produto, não somente durante o desenvolvimento, mas em todo ciclo de vida" (ELLIS, 1992 apud PRASAD, 1996)
"Engenharia Simultânea é uma metodologia de desenvolvimento de produtos, na qual vários requisitos (X-abilities) são consideradas parte do processo de desenvolvimento de produtos (manufatura, serviço, qualidade, entre outros). Esses requisitos não servem somente para se atingir as funcionalidades básicas do produto, mas para definir um produto que atenda todas as necessidades dos clientes" (HARTLEY, 1992 apud PRASAD, 1996)
"Engenharia Simultânea é a integração do projeto do produto e do processo em toda a empresa" (FINGER, 1993 apud PRASAD, 1996)
Todas essas definições continuam válidas. No entanto, a definição de Engenharia Simultânea deve ser adequada à ênfase atual de se modelar os processo de negócio das empresas.

Definição orientada a processos de negócio
Com base nos conceitos de modelagem de processos de negócio, pode-se definir Engenharia Simultânea como sendo a filosofia utilizada no processo de desenvolvimento (ou alteração) de novos produtos, visando:

aumento de qualidade do produto, com foco no cliente;
diminuição do ciclo de desenvolvimento e
diminuição de custos.
Esta filosofia toma como base a sinergia entre seus agentes, que devem trabalhar em equipes multifuncionais, formadas por pessoas de diversas área da empresa. Esta equipe deve crescer e diminuir ao longo de sua existência, mantendo sempre um mesmo núcleo de pessoas, que acompanham o desenvolvimento. Durante algumas atividades devem fazer parte desta equipe clientes e fornecedores, quando se trabalhar no conceito de cadeia de suprimentos, conforme a posição da empresa dentro desta cadeia. Todo o trabalho desta equipe deve ser suportado por recursos, métodos e técnicas integradas, tais como: QFD, FMEA, Taguchi, etc. Apesar da repetição, deve-se sempre enfatizar que o foco do trabalho deve estar concentrado nas necessidades do cliente. Apesar de longa, essa definição poderia ainda ser considerada incompleta, pois, por exemplo, não citou a melhoria contínua e outros conceitos, que a tornariam muito mais extensa.

É importante ressaltar que todos os elementos da empresa envolvidos nessa definição de Engenharia Simultânea (atividades, informação, organização e recursos) devem ser considerados no modelo do processo de desenvolvimento de produtos. Um exemplo de processo que utiliza a filosofia de Engenharia Simultânea é modelo de referência de desenvolvimento de produtos da Fábrica Integrada Modelo (FIM).
O Departamento
1. HISTÓRICO
A Engenharia de Produção começou a ser individualizada na UFSC a partir de 1969, quando da criação do mestrado na Escola de Engenharia Industrial, através das áreas de concentração em Engenharia Industrial e Gerência da Produção. No início dos anos 70 foi criado o Departamento de Engenharia Industrial que no final da década recebeu a sua denominação atual. Em 1979 foram criadas na UFSC, em nível de graduação, as habilitações em Engenharia de Produção nas áreas de Engenharia Civil, Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica. Em 1972 foi formalizado o curso de pós-graduação em Engenharia Industrial, em nível de mestrado, que, desde 1977, tem a denominação de Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. O doutorado passou a ser oferecido em 1989. Nos 31 anos de funcionamento do programa de pós-graduação, já foram aprovadas mais de 3000 dissertações de mestrado e mais de 300 teses de doutorado. Na graduação foram diplomados mais de 650 alunos (dado de até 2000.1).
2. ÁREA DE ATUAÇÃO
A Engenharia de Produção está associada à fabricação de bens e à prestação de serviços, abarcando um grande espectro de aplicações. Possui interfaces importantes com todos os demais ramos de engenharia, bem como com várias áreas de conhecimento que interferem horizontalmente nos sistemas produtivos, como administração, economia, contabilidade, psicologia, informática e estatística, dentre outras. Utiliza metodologias predominantemente quantitativas de planejamento e projeto para implementação de sistemas de produção, buscando, através de uma adequada integração de pessoas, materiais e equipamentos, maximizar a eficácia dos resultados alcançados. O trabalho em equipes multidisciplinares e a abordagem sistêmica constituem-se em características marcantes da Engenharia de Produção. A melhoria da qualidade de bens e serviços e o aumento da produtividade e da competitividade são seus objetivos primordiais e permanentes.
3. CONSTITUIÇÃO DO DEPARTAMENTO
O corpo docente do EPS é formado por professores com titulações de especialização, mestrado e doutorado, obtidas nos mais diversos centros de excelência mundiais, localizados em países como França, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Portugal e Espanha, além de instituições brasileiras de renome como FGV, UFRJ, USP e na própria UFSC. O Departamento conta com servidores técnico-administrativos atuando nas atividades da graduação e da pós-graduação, a maioria deles com nível superior.